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No campo de batalha...

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"Que é isto? Vou cair? As pernas tremem-me?", disse de si para consigo, e caiu de costas. Reabriu os olhos na esperança de ver o resultado da luta dos franceses com o artilheiro e de saber se sim ou não este fora morto e se as peças tinham sido tomadas ou salvas. Mas nada mais viu. Por cima da sua cabeça nada mais havia além do céu, um céu muito alto, não claro, imensamente alto, onde erravam tranquilamente pequeninas nuvens cinzentas. "Que calma, que paz, que majestade!", pensava. "Não era assim aquando da nossa louca corrida, no meio dos gritos e da batalha; não era assim quando, o furor e o meto pintados no rosto, o francês e o nosso artilheiro disputavam entre si o taco da peça; então não havia, como agora, nuvens errantes neste céu profundo e infinito. Como é que eu nunca tinha visto isto, este céu sem limites? E que feliz me sinto de o ver finalmente. Sim, tudo é vaidade, tudo é mentira, à excepção deste céu sem fim. Não há nada, absolutamente nada, além...

Causas pessoais

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Hoje, no programa Fresh Air , da National Public Radio , ouvi uma entrevista muito interessante. A apresentadora do programa, Terri Gross, entrevistou o médico psiquiatra Charles Reynolds, da Pittsburgh University Medical School , que é especialista em depressões em pessoas com mais de setenta anos. Ele apresentou a viúvez, a reforma ou o abrandamento de uma vida activa, o aumento da dependência nos outros, entre outros motivos, como causas de depressão em idosos, tendo agora publicado um livro que pode servir de guia aos familiares no sentido de poderem reconhecer os sintomas. Segundo ele, estas pessoas não têm uma natureza depressiva, estando num processo de adaptação a uma nova realidade, por isso, se forem bem acompanhados poderão ultrapassar esta situação e conseguir uma vida com dignidade. Ele estava a fazer o internato em psiquiatra quando o seu avô, na altura com oitenta e nove anos, suicidou-se com uma arma de fogo. Ele descreveu o avô como uma pessoa que foi sempre muito acti...

A maioridade

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Não me lembro se chovia nessa tarde, mas, em casa, sentíamo-nos como se estivessemos debaixo de uma chuva miudinha e persistente. Cruzámo-nos no corredor, as tuas mãos procuraram as minhas mãos que, muito provavelmente, deveriam estar frias. O meu olhar ficou preso no teu olhar e ficámos assim algum tempo, que pode ter sido um instante, que pode ter sido uma eternidade. Disseste-me: "Ganha asas e voa! Há outras auroras para veres e viveres." Assim fiz, voei. - Maggs - ______________ ___ Amanhecer no deserto da Namíbia foto de © T. Credner & S. Kohle, AlltheSky.com

Paragem de autocarro

Olhou para o relógio. Começava a arrepender-se de ter decidido esperar pelo autocarro em vez de fazer o percurso de quinze minutos a pé até ao bloco de apartamentos onde estava a viver desde que chegara à cidade. Puxou novamente a gola do casaco de encontro ao pescoço, tentando afastar o vento frio que teimava em entrar pela abertura do casaco. "Devia ter trazido um cachecol", pensou. Ainda não se adaptara à cidade e ao local de trabalho, por isso, a expressão triste e ligeiramente perdida no seu olhar. Lembrou-se da troca acesa de palavras entre dois colegas, devendo-se tudo a um mal-entendido. Como palavras inofensivas, ditas com uma entoação dura, podem ferir uma pessoa. Na sua opinião, se os colegas tivessem procurado conversar calmamente teriam chegado à mesma conclusão que ela - que tudo não passara de um mal-entendido. "Mas porque é que as pessoas não procuram comunicar-se melhor?". Nisto, baixou o olhar, com as mãos ainda agarradas à gola do casaco bem perto...

Aprendizagem em Londres

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Aprendi a amar Londres, durante as minhas ausências da cidade. Por isso, em cada regresso agora - sim, porque são regressos - há uma forte sensação que nunca cheguei a deixar a cidade. Procuro mergulhar na cidade o mais rapidamente possível para deixar de ser mais uma turista e passar a ser mais uma anónima que vive na greater London . Tenho os meus lugares preferidos, que se situam na área de South Kensington , onde estudei durante três anos e vivi um ano e tal. Quantos percursos foram feitos a pé! O objectivo era 'perder-me' naquelas ruas antigas com casas ora em tijolo vermelho ora pintadas de branco com portas negras; entrar por ruas estreitas e ver pequenas lojas, restaurantes; ouvir pessoas a falarem em diversas línguas; ir aos restaurantes italianos da minha predilecção; experimentar comida tailandesa, indiana e os famosos crepes franceses. Mas, o que mais me atrai nessa cidade que é grande e que é suja, principalmente, nos locais de maior fluxo turístico (e.g. zona de P...

Chamamento

Fala comigo, mesmo que eu não responda. Olha para mim, mesmo que eu feche os meus olhos. Toca-me, mesmo que eu não esteja ao alcance das tuas mãos. Ausentes um do outro, mas sempre no pensamento. - Maggs -

Golpe de estado

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Este golpe de estado foi diferente. Não houve derramamento de sangue e quem foi deposto, assim que percebeu que estava perante um facto consumado, recompôs-se e entregou, de forma respeitosa e abnegada, todo o seu saber, experiência e sentimentos ao novo líder. A ideia deste blog surgiu quando estava nos preparativos da minha viagem para os Estados Unidos. Pensei que seria uma maneira interessante de descrever os 'choques culturais' que iria vivendo. Além disso, sentia que não teria a oportunidade de escrever de forma exaustiva a todos os meus amigos sobre o que iria observando aqui. E um blog presta-se a isso, principalmente porque podemos adicionar uma imagem, etc... No entanto, parece que a ideia inicial de posts descritivos sobre o american way of living passou para segundo plano porque, inadvertidamente, abri uma porta que estava encerrada há muitos anos. Neste momento, já não mando aqui, limitando-me a ser o veículo de transmissão do que todas essas vozes têm para dizer...