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Showing posts with the label Em poesia

No meu peito

Não chores... Mas se tiveres mesmo de chorar, aninhar-te-ei no meu peito. Aqui, há tantas dores iguais às tuas. Não chores... Mas se tiveres mesmo de chorar, levar-te-ei à beira mar. Ali, há tantas lágrimas iguais às tuas. Não chores... Mas se tiveres mesmo de chorar, chorarei contigo. Bem sabes que as tuas dores são as minhas. Não chores... Mas se tiveres mesmo de chorar, pedir-te-ei para não chorares. É que o mar não é feito só de lágrimas e eu... Eu preciso que me sustenhas para poder então aninhar-te no meu peito.

Bem-vinda

Não sabia. Não sabia que existias. Não sabia. Não sabia sequer o que almejavas - para mim -. Mas tu... Mas tu sempre soubeste tudo sobre mim. Quem eu era, quem eu sou. Eu? Eu não sabia nada disso sobre mim. E neste silêncio, nesta quietude, Eis que irrompeste do fundo de mim Livre e triunfante! Sê bem-vinda. Não sabia que existias - em mim -. Sê bem-vinda. Sai da minha sombra. É que não sabia que és a razão pela qual eu existo.

Como foi

No sussuro da tua voz como uma carícia, explorando as linhas do meu corpo. Nas palavras suspensas por silêncios densos onde tudo é sentido e nada é falado. Fizeste-me tua. -

Promessas

Promete-me que todos os dias irás mais além que serás ponderado nas escolhas que serás intrépido nas demandas que sentirás todos os dias que foste mais além. Promete-me ... não, espera... Promete a ti próprio que serás sempre fiel ao teu EU. -

Saudades

No meu passado, o início de quem serei. No meu presente, as saudades de quem serei, No meu futuro, o encontro com quem serei. Saudades de quem serei, não de quem fui. -

Pertença

Era tua, somente tua sem o saber. Chamava por ti, só por ti sem o saber. Esperava por ti, só por ti sem o saber. Oh solidão! Por não ser tua, Por não ter resposta A esta espera. Os meus chamamentos que se perdiam mas que encontraram os teus E agora tudo faz sentido.

A ponte

Nunca mais visitei a ponte. Eu falava sobre o nosso amor, - as emoções à solta - Tu escutavas, - rendido, seduzido - Agora, inibida me encontro. As palavras envergonhadas. As emoções recatadas. O amor órfão se encontra. O silêncio domina. O vazio por companhia. Nunca mais vieste à ponte... A ponte que me ligava a ti.

Expectativas

Aguarda-se por vivências sonhadas momentos idealizados alegrias partilhadas sentimentos verdadeiros respostas desejadas encontros esperados Aguardo por instantes repletos de coisa nenhuma - Maggs -

Adeus

Chegada a hora da partida Mas não o da despedida. Que logro! A ruptura em cada encontro. Palavras pensadas, mas silenciadas. Olhares esquivos, tão vivos. Sentimentos omissos, ainda que intensos. Chegada a hora da partida. Que seja outrossim o da despedida. - Maggs -

A minha história

Abdico de tudo Das fantasias, em particular A minha alma a apoquentar. Das frases fáceis Ditas, ouvidas e sempre fúteis. Das opções ligeiras As frustrações recalcadas. Viro a página e não abdico Daquela que serei Do mundo onde viverei. - Maggs -

Exílio (II)

A mala está pronta... Os discos, os livros... A gana de ir além... Na ida, solta-se amarras ganha-se asas. Na volta, O exílio que persevera A estranheza que teima. Idas e voltas... Encontros, na falta Desencontros, na presença. - Maggs -

Sem palavras

Não quero falar-vos das minhas mágoas. Tampouco das minhas expectativas. Ou das minhas venturas. Bem maiores, para vós, são as vossas. Sempre, vossas palavras, proferidas das vossas janelas! Sem palavras, sem alardes Aprendamos a escutar O que não se consegue falar. - Maggs -

Simplesmente... livre

Ainda há tantos lugares murmurando o meu nome Em Nada me transformando não me embrenhando neles. Porque insistem em prender-me? invadindo o meu Eu Em Nada me mantendo não me libertando de vós. Anseio partir para esses lugares E, um dia, de livre vontade, Nada serei... Com uma vida simplesmente... livre. - Maggs -

Dilema

faço, desfaço, e refaço ... os nós de um sentir que me tem cativa. invento emoções recrio sensações ... desejando não sentir o que me tem cativa. - Maggs -

Renúncia

Trouxe-te um livro sobre grandes amores. Trouxe-te um quadro com amantes enlaçados. Trouxe-te uma carta escrita por outrém. Despojei-me dos receios. Desta vez, tão só, trouxe-te a minha pessoa. - Maggs -

Carta de alforria

Nesta hora escura, - pungente, crua - destemida me torno e me desnudo e me defronto e me reconheço. Nesta hora escura, - serena, doce - apaziguada me encontro e me basto, e me alegro e me revejo. Nesta hora escura, - cristalina, autêntica - sem pejos, declaro que "aprendi a dizer não naqueles instantes que me negaram a mão." - Maggs -

Tempo para o amor - primeiro tempo

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" Três tempos ", Hsiao-hsien Hou (2005) - música "Rain & tears", Aphrodite's Child - De mãos dadas - Recriei-te noutros corpos, nada mais que repositórios das minhas visões sobre ti. Percorri outras terras, crente que saía ao meu encontro sem saber que buscava por ti. Agora que estamos juntos, - de mãos dadas - - os dedos entrelaçados - deixa-me confessar-te que encontrei em ti fragmentos de mim porque em mim estão fragmentos de ti. fragmentos perdidos num dia igual a este feito de chuva e de lágrimas - Maggs -

Hábitos

Por hábito, chamo por ti. Às vezes, com urgência outras, por hábito mesmo. Por hábito, espero por ti. Nesta espera, feita de hábitos, até me esqueço que por ti espero. Por hábito, chamo por ti. Às vezes, com saudades outras, por hábito mesmo. Quiçá, já não sinta a tua ausência neste hábito de sussurar o teu nome, numa prece, numa carícia, numa alegria. Acaso, por hábito, não chamarás tu por mim? - Maggs -

Ousadia

Compramos ilusões, Vivemos frustrações, Hesitamos opções. Insistimos nas emoções - que não são as nossas. Permanecemos nos percursos - que não são os nossos. Nesta nudez crua, mergulhados, sufocados, vazios. Paremos aqui! sejamos autênticos. sejamos impetuosos. sejamos honestos. - Maggs -

Tempos

Porque hesitas Quando é o tempo da ousadia Porque te ocultas Quando é o tempo de te expores Porque questionas Quando é o tempo da acção Porque te negas Quando é o tempo de te assumires Este instante é o teu tempo! - Maggs -